Pedro Pinotes, o treinador David Ferro e João Matias (foto ASF) Por Miguel Candeias, enviado de A BOLA a Xangai
Ainda sem a presença de Mariana Henriques, que apenas chegará esta tarde à China, a Selecção de natação de Angola composta por João Matias e Pedro Pinotes já se treinou, esta manhã, na piscina do pavilhão principal do complexo Oriental Sports Center, no qual, a partir de domingo, irão decorrer as provas de natação pura do XIV Mundial de Xangai.

Liderados pelo técnico David Ferro, os dois internacionais angolanos, ambos repentes em campeonatos do mundo absolutos, aproveitaram a primeira oportunidade que a organização deu aos atletas para testarem o tanque onde irão competir durante oito dias pois, devido às competições de natação sincronizada, que apenas terminam amanhã, o recinto tem estado sempre vedado à natação.

«A piscina é muito boa»
«A piscina é muito boa, tem uma profundidade acima do normal mas isso irá fazer com que existam menos correntes entre as pistas e deverá ajudar os nadadores a terem uma melhor performance», começou por referir Matias (24 anos), o mais experiente elemento da equipa nestas andanças de mundiais. É já a quinta edição em que participa.

«As instalações? São espectaculares, não há dúvida que eles se organizaram bem e em termos de plateia penso que irá ser muito bom, vai estar tudo cheio», acrescentou João que, ao contrário de Pinotes, não fez um estágio de dez dias em Macau para adaptação ao fuso horário e aclimatização e apenas chegou ontem de manhã de Londres, onde vive há vários anos e está a concluir o curso superior. «Se me sinto todo trocado [Xangai tem mais sete horas do que Londres]? Ainda não, vim num voo directo de Inglaterra mas desde que comecei a viagem procurei logo começar a dormir às horas de cá para tentar habituar o corpo de forma a não ficar com jet lag».

Afinar pormenores
Sem problemas de sonos trocados está Pedro Pinotes (21 anos), que aproveitou a boleia e convite da selecção portuguesa para realizar uma tranquila adaptação em Macau. «Hoje foi uma boa sensação porque vim do estágio em Macau e lá a água estava sempre um bocado quente de mais, assim como o ambiente em redor da piscina. Aqui isso não acontece. É tudo controlado e a temperatura da água é mais fresquinha, o que é muito melhor para nadar».

«O estágio foi bom, correu tudo bem. Já estou adaptado à diferença de horas o que torna tudo mais fácil. Agora é afinar uns pormenores e descansar. Já vi as instalações… parece que estamos nuns jogos olímpicos. Puseram isto espectacular, este estádio é de última geração», salienta Pedro que, em Maior, já obteve mínimos B para os Jogos de Londres-12 aos 400 m estilos.

Trabalhar cada vez mais e melhor
Igualmente vindo de Macau, para o técnico David Ferro o cronómetro do arranque do Mundial também se encontra em contagem decrescente. Faltam dois dias. «Isso para o início da competição. O João será o primeiro a nadar, o Pedro só entra mais tarde em acção e para que a equipa fique completa só falta chegar hoje a Mariana. Todo o trabalho de preparação está feito, agora é descansarem, procurar apurar ao máximo os pormenores técnicos e a ambientação, tirar referências à piscina, blocos de partida… Acima tudo é ganhar sensibilidade».

Ao falar do pavilhão Ferro não conseguiu esconder um certo sorriso de satisfação. Quisemos saber porquê. «Como treinador é a primeira experiência em termos de grandes competições internacionais e nunca havia estado num recinto e complexo desportivo com estas dimensões, por isso é óbvio que nos dá muita satisfação e motivação para trabalhar cada vez mais e melhor para poder estar sempre presente nestes eventos», concluiu o treinador de Angola.

A Bola