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“Comprei a Playboy para ler os artigos”. Esta frase vai deixar de ser uma desculpa para os milhões de norte-americanos que, desde 1953, ajudaram a elevar a revista a ícone da cultura mundial.

A revista norte-americana Playboy vai deixar de conter imagens de mulheres nuas. Vamos repetir: a Playboy vai deixar de trazer imagens de mulheres nuas. Este ícone da cultura norte-americana e mundial, que mudou a forma como a sociedade Ocidental olha para o sexo, vai fazer uma reformulação em março que é, no fundo, uma resposta à revolução que ajudou a criar. Quem comprar a revista irá fazê-lo, agora sim, estritamente “para ler os artigos”.

As novas tecnologias e a facilidade com que qualquer pessoa pode encontrar todo o tipo de conteúdos sexuais na Internet serão, provavelmente, as principais razões por que a circulação da Playboy tenha caído de 5,6 milhões em 1975 para 800 mil exemplares, segundo uma análise recente citada pelo The New York Times. As revistas para adultos, mesmo um ícone como a Playboy, deixaram de ter a relevância cultural e a viabilidade económica que tinham no seu auge, na década de 70. E, ao contrário da Penthouse, que reagiu aos novos tempos tornando-se ainda mais hardcore, a Playboy decidiu que irá continuar a ter imagens “provocadoras” mas deixará de haver nús integrais na edição impressa.

A “revolução” está a ser promovida por Cory Jones, um dos responsáveis editoriais da Playboy (o excêntrico Hugh Hefnercontinua, aos 89 anos, a aparecer na ficha técnica como diretor da publicação). O The New York Times escreve que o presidente-executivo da empresa dona da Playboy, Scott Flanders, aprovou a reformulação e espera, assim, inverter a tendência de queda da publicação cujo coelhinho continua a ser uma das marcas mais reconhecidas em todo o mundo. Uma caminhada que começou com esta capa da primeira edição, em 1953, que tinha Marilyn Monroe em destaque e que não tinha data porque não se sabia se iria haver uma segunda edição.

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Essa batalha foi travada e está vencida“, afirma Scott Flanders, referindo-se à mudança de como toda a sociedade norte-americana (e, em certa medida, mundial) olha para a sensualidade e para o sexo. “Hoje em dia, está-se apenas à distância de um click para encontrar qualquer tipo de ato sexual imaginável. Portanto, esta questão, agora, é um pouco passé“.

Ao longo das várias décadas em que a Playboy foi um marco da cultura norte-americana – e uma publicação economicamente viável – não faltaram artigos e entrevistas que, mais ou menos deliberadamente, legitimaram quem usava essas peças jornalísticas como desculpa para comprar uma revista que também trazia mulheres nuas. Reportagens de fundo, textos de ficção e entrevistas a figuras de destaque como Martin Luther King, Vladimir Nabokov e Jimmy Carter acompanharam, no auge da Playboy, as fotografias de mulheres como Sharon Stone e Naomi Campbell.

Agora, em risco de ser engolida por publicações que devem a sua existência, em parte, ao caminho desbravado por Hugh Hefner e a Playboy, Cory Jones – o responsável editorial que está a liderar a reformulação – quer ter uma colunista “mulher sexualmente positiva” a escrever de forma entusiástica sobre sexo. A Playboy vai apostar na publicidade a bebidas alcoólicas de qualidade e tentar chegar à nova geração conhecida como millennials, que tem hoje entre 18 e 30 anos. A diferença entre a Playboy e outras publicações jovens com forte componente online? “A diferença é que nós queremos ir atrás do tipo que tem um emprego“, diz Cory Jones.

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